O processo de explicação do fracasso escolar tem sido
uma busca de culpados o aluno, que não tem capacidade; o professor,
que é mal preparado; as secretarias (governos) de educação,
que não remuneram seus professores; as universidades, que não
formam bem o professor; o estudante universitário, que não
aprendeu no secundário o que deveria ter aprendido e agora não
consegue aprender o que seus professores universitários lhe ensinam.
Mas a criança que aprende matemática na rua, o cambista analfabeto
que recolhe apostas, o mestre-de-obras treinado por seu pai, todos eles
são exemplos vivos de que nossas análises estão incompletas,
precisam ser desafiadas, precisam ser desmanchadas e refeitas, se quisermos
criar a verdadeira escola aberta a todos, pública e gratuita, pela
qual lutamos nas praças públicas. Os educadores, todos nós,
precisamos não encontrar os culpados mas encontrar as formas eficientes
de ensino e aprendizagem em nossa sociedade.
p. 20-21.
Carraher, Terizinha, Carraher, David, & Shliemann, Analúcia.
(1995). Na vida dez, na escola zero (10 ed.). Editora Cortez: São
Paulo.
ISBN 852490112-8